Entrevista con Flavia Costa

Como está a produção das universidades argentinas?

A produção editorial argentina tem crescido constantemente nos últimos anos. Neste momento, de acordo com os editores da Rede de Editoras Universitárias, há cerca de 40 editoras universitárias públicas associadas que produzem entre mil e 1200 novidades ao ano. Seu principal ponto em comum, além de pertencer às universidades públicas, é a sua diversidade notável, que tem a ver com os diferentes projetos institucionais que as guiam, com o lugar na estrutura institucional (alguns dependem da Reitoria, Académica, Extensão, Pesquisa e Comunicação), com o grau de autonomia de que gozam em termos de orçamento do projeto editorial e assim por diante. A heterogeneidade também é a regra em relação aos catálogos, às políticas de avaliação de originais, aos autores que publicam e até mesmo aos suportes que eles oferecem. A complexidade deste esquema, no entanto, traz uma dupla vantagem. A primeira é que é editores não são pressionados pelo lucro fabuloso, mas em qualquer caso, o melhor cenário é o que está na situação referida pelo editor italiano Roberto Calasso, diretor da Casa Adelphi: a “financiar bons livros com bons livros “. A segunda é que, em conjunto, representam um microssistema de “bibliodiversidade” substancial.

Há integração entre as editoras universitárias no seu país?

Sim, por um lado existe a Red de Editoriales de Universidades Nacionales (REUN), reunindo as universidades nacionais, com uma agenda baseada em objetivos comuns a todos os seus membros, principalmente pela natureza de nossas instituições e, por outro lado, há também a Rede Publishing das universidades particulares (REUP). Desde 2012, as duas redes já começaram a promover algumas ações conjuntas, particularmente impulsionadas pela Secretaria de Políticas Universitárias do Ministério da Educação Nacional.

Quais são os maiores desafios nesta área?

A REUN detectou nos últimos anos pelo menos quatro grandes desafios para os nossos editores: a profissionalização das editoras (a formação das pessoas que trabalham no mercado editorial, a valorização de seus catálogos, a questão de qualidade em diferentes suportes tecnológicos), a visibilidade de seus livros dentro e fora da comunidade universitária, o encontro eficaz com seus leitores (as questões estratégicas de comunicação pública de seus títulos e a comercialização e distribuição) e a criação de redes locais, regionais, nacionais e inernacionais para o crescimento do microssistema criativo.

Como é feita a disseminaçao das informações para a mídia e o público leitor?

Cada editora tem sua estratégia. A nossa, a UNIPE, tem três focos. Primeiro, criamos algumas publicações próprias como a revista e suplemento Tema Uno e o suplemento Educação em debate, que publicamos junto com o jornal mensal Le Monde Diplomatique, edição Cone Sul, e onde discutimos assuntos que fazem parte da agenda de nossa própria universidade. Em segundo, fazemos campanhas de mídia tradicionais que acompanham cada lançamento. Finalmente, também visitamos semanalmente livrarias e feiras do livro (faculdades e universidades), apresentando e promovendo nossos títulos para os primeiros leitores e comentaristas: os livreiros.

Vocês promovem eventos?

Sim, existem diferentes projetos e eventos. Um em especial foi criado há três anos por três editoras que integram a Rede (Eudeba, Universidad Nacional de Quilmes e Universidad Nacional del Litoral), junto com a cátedra de Edición Editorial de la UBA y la Fundación El Libro. Se trata das Jornadas de la Edición Universitaria (JEU), com a Eudeba, a Universidade Nacional de Quilmes e a Universidad Nacional del Litoral, juntamente com a cadeira de Edição e Publicação da Universidade de Buenos Aires e Fundación El Libro. Além disso, os encontros regionais são promovidos em diversas feiras e temos estandes conjuntos.

Os professores das universidades estão acompanhando a revolução digital?

Eles são experientes e estão tentando entender e acompanhar todo o processo com cautela. Em praticamente todas as universidades são propostos os desenvolvimentos digitais no nível das classes (aulas virtuais), no nível dos textos produzidos (repositórios institucionais) e nos livros de referência (bibliotecas). Enquanto isso, estão acontecendo discussões importantes sobre os temas jurídico, político e econômico no que se refere à questão do acesso aberto. É um campo inteiro para trabalhar e, de preferência, integrado às editoras regionais.

Quais os temas preferidos para os títulos das editoras universitárias?

Não tenho estatísticas das publicações das universidades, mas entendo que há uma tendência geral ou dominante, mas em cada caso depende do que as áreas de produção de conhecimento das instituições determinam em suas políticas editoriais.
8. O que aproxima Brasil e Argentina na produção editorial das universidades?
Eu entendo que nós compartilhamos os mesmos desafios para o contexto da globalização e concentração do mercado editorial, e também em termos de profissionalismo e visibilidade das editoras universitárias, sobre o que nos parece prioritário para construir uma agenda prioritária que funcione em conjunto. Acreditamos que a integração de nossas respectivas redes é o quadro adequado para lidar com essa tarefa.

Os títulos das editoras universitárias têm caráter comercial?

As editoras universitárias enfrentam o duplo desafio de atender a lógica acadêmica e científica para produzir materiais de qualidade, ou seja, a pensar em si mesmas com as funções de pesquisa, ensino e extensão da educação. Os selos devem trazer suas produções a um mercado que tem suas regras. As editoras universitárias lutam para encontrar seu lugar e marca, e, se possível, os seus próprios cursos. Nesta linha de tensão, porque, sem negar nenhuma das duas realidades, os títulos devem ser principalmente em busca de leitores, que representam o público que dá sentido a todo o nosso trabalho.

Como é a relação das editoras com os órgãos governamentais?

Este tem sido uma relação complexa e que muda conforme o momento histórico. No momento, há uma maior compreensão por parte de alguns órgãos e regiões do Estado sobre a importância estratégica da universidade e suas editoras para o desenvolvimento do país.